mbrettas


24/04/07


EU ODEIO POESIA

Eu odeio poesia!
Já disse isso? Pois volto a dizer com toda a força de meus pulmões:
EU ODEIO POESIA!
Odeio as rimas fáceis, odeio casamentos métricos, estrofes corretas... odeio amores coloridos ou doloridos. Odeio os já puídos babos às montanhas, ao sol e à lua.
Relações impossíveis, paz de mentirinha, hipocrisia barata... como eu odeio isso tudo!
Odeio o mundo solitário e idealizado dos poetas. E, é óbvio, esse "é" e esse "e" eu também odeio.
Quero falar através de milhões de personagens, quero ser cada um deles, quero multiplicar a minha existência e partilhá-la entre todos esses seres que vivem dentro de mim.
Não vou ficar trancado no quarto escuro da poesia a que fui confinado. Acendo todas as luzes, procuro janelas. Estou sufocado, quebro paredes, rompo as amarras, saio para o mundo.
Quero romances reais, estou carente de uma boa prosa.
Preciso conhecer pessoas como Fernando. Visitar os campos de Haroldo e de Augusto. Me sentir um "mané" balançando bandeiras. Ser casto como Alves ou um anjo como Augusto. Abrir as gavetas e os armários de Andrade. Quero enrolar a minha língua e meus sentidos com Mallarmé, Goethe, Pound, Valery, Maiakovsky, Baudelaire, Neruda...
Quero a paz de dormir com Drummond.
Quero apenas... amar.

Escrito por Marcelo Brettas às 09:25:34
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20/04/07


Onde é o veio?

Olho a vida de esgueio
algo sem fim, começo ou meio
muitas coisas vi outras até que nem
só sei que caminho seguro pode ser um desvio também
bonito e feio, mal e bem, errado e certo
nada disso eu conheço
de longe ou de perto
vivo a vida apenas pelo veio

Escrito por Marcelo Brettas às 12:05:41
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13/04/07


Tridente

talvez ninguém mereça tanto...
entretanto, que graça teria
pelo mal e pelo bem
se como cântico
de tanto em tanto

não nos esparramássemos por algum canto

engolindo um enorme pranto
durante a noite e todo o dia
por um alguém
com nada de satânico
muito menos de santo

Escrito por Marcelo Brettas às 11:02:58
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04/04/07


Amor Fati... ar

degustar sempre bem devagar...
molhando as palavras na mesa de qualquer bar...
vivendo aqui ou em outro lugar...
apreciando licor e caviar...
sabendo com arroz e feijão igualmente me fartar...
com os pés, uma a uma, todas as uvas a amassar...
deixando o vinho pela lingua escorregar...
gota a gota sem parar...
e quando não mais puder respirar...
desfrutar a falta de tudo e até do ar...

Escrito por Marcelo Brettas às 09:45:36
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